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Sábado, 24 de outubro de 2026

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VAR: quando pode ser usado e como funciona o protocolo

O VAR só interfere em erro claro e óbvio em lances de gol, pênalti, vermelho direto e identidade trocada. Entenda o protocolo da IFAB e o que mudou em 2026.

Tiago da Silva CândidoPor Tiago da Silva Cândido Atualizado em 22/10/2026 6 min de leitura
Monitor de revisão do VAR à beira do gramado

O VAR, árbitro assistente de vídeo, só pode interferir em um jogo para corrigir um erro claro e óbvio ou apontar um incidente grave não visto em quatro tipos de lance: gol, pênalti, cartão vermelho direto e identificação errada de jogador. O árbitro de campo sempre toma a decisão inicial e dá a palavra final, e a revisão nunca pode ser pedida por jogadores ou técnicos.

Quem define as regras do VAR

O uso do vídeo na arbitragem segue o Protocolo do VAR, publicado pela International Football Association Board (IFAB) junto com as Regras do Jogo. As competições podem escolher se usam ou não a tecnologia, mas, se usarem, precisam seguir o protocolo. No Brasil, o VAR estreou na Copa do Brasil de 2018, a partir das quartas de final, e chegou ao Campeonato Brasileiro da Série A em 2019, depois de aprovação unânime dos clubes em reunião na CBF em 22 de fevereiro daquele ano.

Os princípios do protocolo

  • Erro claro e óbvio: o VAR não existe para rediscutir lances interpretativos no detalhe, e sim para corrigir equívocos evidentes ou incidentes graves que a arbitragem não viu.
  • Decisão inicial do árbitro: o árbitro precisa decidir antes, mesmo que seja deixar o jogo seguir. Não pode “não decidir” e esperar o vídeo.
  • A decisão original vale até prova em contrário: ela só muda se as imagens mostrarem claramente que estava errada.
  • Só o árbitro inicia a revisão: o VAR e os demais assistentes apenas recomendam.
  • A palavra final é do árbitro: não há limite de tempo, porque a precisão é mais importante que a velocidade.
  • Ninguém pede revisão: jogadores e membros das comissões técnicas não podem pressionar o árbitro. O VAR checa automaticamente todos os lances elegíveis.
Árbitro fazendo o sinal da TV para indicar revisão do VAR

Os lances que o VAR pode revisar

Tipo de lance O que pode ser checado
Gol / não gol Infração do ataque na construção da jogada (falta, mão, impedimento), bola fora de jogo antes do gol, infrações de goleiro ou cobrador em pênaltis
Pênalti / não pênalti Infração do ataque na jogada, bola fora de jogo, local da falta (dentro ou fora da área), pênalti marcado por engano ou não marcado
Cartão vermelho direto Impedir chance clara de gol, jogo brusco grave, conduta violenta, morder ou cuspir, gestos ou palavras ofensivas e, desde a revisão mais recente do protocolo, segundo amarelo claramente errado que resulta em expulsão
Identidade trocada Cartão aplicado ao jogador errado ou à equipe errada
Escanteio (opção da competição) Escanteio claramente mal marcado, se a correção puder ser feita na hora, sem atrasar o reinício

Nos lances de gol, pênalti e chance clara de gol, a análise pode recuar até o início da fase de ataque que levou diretamente ao lance, incluindo a forma como a equipe ganhou a posse.

Como funciona a revisão, passo a passo

1. Checagem

Toda jogada elegível passa por uma checagem automática na cabine. Na maioria das vezes, ela é silenciosa: nada de errado é encontrado e o jogo segue. Se for preciso segurar o reinício, o árbitro leva o dedo ao ponto eletrônico e estende o outro braço.

2. Recomendação

Se o VAR identificar um provável erro claro, informa o árbitro e recomenda a revisão. O árbitro também pode iniciar a revisão por conta própria, se suspeitar de algo grave que não viu.

3. Revisão

Se o lance ainda estiver em andamento, o árbitro espera um momento neutro, sem chance clara de ataque, para parar o jogo. Então faz o sinal da TV, desenhando um retângulo com as mãos. A revisão pode ser feita de duas formas:

  • Revisão no monitor de campo (OFR): o árbitro vai à área de revisão e assiste às imagens. É o caminho indicado para lances subjetivos, como a intensidade de uma falta, a interferência em um impedimento ou um toque de mão.
  • Revisão só pelo VAR: o árbitro decide com base na informação da cabine. É usada em questões de fato, como a posição de um jogador no impedimento, o ponto de contato, o local da infração e se a bola saiu.

4. Decisão final

O árbitro repete o sinal da TV, comunica a decisão, aplica eventuais cartões e reinicia o jogo de acordo com o que foi decidido. Desde a temporada 2025/26, as competições podem permitir que o árbitro anuncie e explique a decisão no sistema de som do estádio.

O VAR em quatro etapas

  1. Checagem automática de todo lance elegível
  2. Recomendação ao árbitro, se houver erro claro e óbvio
  3. Revisão no monitor de campo ou apenas pela cabine
  4. Decisão final do árbitro, com o sinal da TV e o reinício

O que o VAR não pode fazer

  • Revisar o primeiro cartão amarelo de um jogador.
  • Mudar uma decisão de reinício, como lateral ou escanteio, depois que o jogo foi reiniciado. Após o reinício, só podem ser revistas troca de identidade e infrações de expulsão como conduta violenta, cusparada, mordida ou ofensas graves.
  • Ser acionado a pedido de atletas ou técnicos.

O protocolo também protege o processo: jogadores, reservas e membros da comissão técnica que entram na área de revisão do árbitro recebem cartão amarelo, e quem invade a sala de operação do vídeo é expulso. Fazer o sinal da TV de forma excessiva para pressionar a arbitragem também rende advertência.

Central de vídeo com árbitros acompanhando as imagens de uma partida

As mudanças de 2026 no Brasil

Na assembleia geral de 28 de fevereiro de 2026, a IFAB autorizou o VAR a revisar expulsões por segundo amarelo claramente errado, a corrigir cartões dados à equipe errada e, como opção das competições, a rever escanteios mal marcados. As medidas foram aplicadas na Copa do Mundo de 2026.

Em agosto de 2026, CBF e clubes aprovaram a adoção dessas regras no futebol brasileiro. A revisão do segundo amarelo que gera expulsão passou a valer de imediato nas Séries A e B, na Copa do Brasil masculina e feminina e na Série A1 feminina. A checagem de escanteios ficou aprovada apenas para 2027.

Também em 2026, a Série A passou a usar o impedimento semiautomático a partir da 20ª rodada, com 28 a 32 câmeras por estádio enviando imagens à central de VAR da CBF, no Rio de Janeiro.

Perguntas frequentes

O técnico pode pedir o VAR?

Não. Pelo protocolo da IFAB, só o árbitro inicia uma revisão, a partir de recomendação do VAR ou de suspeita própria.

O VAR pode revisar cartão amarelo?

Não o primeiro. Desde 2026, pode revisar o segundo amarelo quando ele resulta em expulsão e estiver claramente errado.

Existe tempo limite para a revisão?

Não. O protocolo afirma que a precisão é mais importante que a velocidade.

Por que às vezes o árbitro vai ao monitor e às vezes não?

Lances de interpretação, como a força de uma entrada, pedem revisão no monitor. Lances de fato, como a posição em um impedimento, podem ser resolvidos só com a informação da cabine.

Fontes consultadas: IFAB, Protocolo do VAR; FIFA, comunicado da assembleia geral da IFAB de 2026; CBF; Diário do Nordeste; Gazeta Esportiva; Folha Vitória; Bundesliga; Diario de Pernambuco.

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