Pular para o conteúdo

Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Futebol potiguar e do Nordeste

Regras do Futebol

Regra do impedimento explicada com exemplos práticos

Estar em posição de impedimento não é infração: o lance só é marcado quando o atacante participa da jogada. Veja a Regra 11 com exemplos.

Tiago da Silva CândidoPor Tiago da Silva Cândido Atualizado em 22/10/2026 6 min de leitura
Linha de defesa avançando enquanto atacante tenta se posicionar no limite do impedimento

Um jogador está em posição de impedimento quando, no momento em que um companheiro passa ou toca a bola, alguma parte da cabeça, do corpo ou dos pés dele está no campo adversário e mais perto da linha de fundo do que a bola e o penúltimo adversário. Estar nessa posição não é infração: o impedimento só é marcado se o jogador participar ativamente do lance.

O que diz a Regra 11

O impedimento é tratado na Regra 11 das Regras do Jogo, publicadas pela International Football Association Board (IFAB), entidade que define as leis do futebol no mundo inteiro. A regra separa duas ideias que costumam ser confundidas: a posição de impedimento e a infração de impedimento.

Posição de impedimento

Para estar em posição de impedimento, o atacante precisa cumprir todas estas condições no momento do passe ou do toque do companheiro:

  • estar no campo de ataque, sem contar a linha do meio-campo, que é considerada neutra;
  • ter parte da cabeça, do tronco ou dos pés mais perto da linha de fundo adversária do que a bola;
  • ter essa mesma parte do corpo mais perto da linha de fundo do que o penúltimo adversário.

Mãos e braços não contam, inclusive no caso dos goleiros. Para delimitar o braço, a regra usa como referência a parte de baixo da axila. Um jogador alinhado com o penúltimo adversário, ou com os dois últimos, não está impedido.

O “penúltimo adversário” costuma ser o último defensor de linha, porque o goleiro geralmente é o último. Mas, se o goleiro estiver adiantado, a referência passa a ser outro jogador: vale sempre quem for o penúltimo homem da defesa naquele instante.

Infração de impedimento

O jogador em posição de impedimento só é punido se, no momento do passe, se envolver no jogo de uma destas formas:

  • Interferindo no jogo: jogando ou tocando a bola passada ou tocada por um companheiro.
  • Interferindo em um adversário: bloqueando a linha de visão dele, disputando a bola, tentando claramente jogar uma bola próxima de forma que afete o adversário ou fazendo uma ação óbvia que atrapalhe a capacidade do rival de jogar a bola.
  • Tirando vantagem da posição: jogando a bola ou interferindo em um adversário depois de ela rebater na trave, no travessão, em um árbitro ou em um adversário, ou depois de uma defesa deliberada do rival.

A sanção é um tiro livre indireto para a equipe defensora, no local onde a infração ocorreu.

Assistente levantando a bandeira para sinalizar impedimento

Quando nunca há impedimento

A regra lista três situações em que o jogador não pode ser punido, mesmo que esteja à frente de todos: quando recebe a bola diretamente de um tiro de meta, de um arremesso lateral ou de um escanteio. Também não há impedimento para quem está no próprio campo de defesa no momento do passe.

Exemplos práticos

Situação no momento do passe É impedimento?
Atacante com o pé à frente do penúltimo defensor recebe a bola e finaliza Sim
Atacante alinhado com o penúltimo defensor recebe a bola Não
Atacante adiantado só com o braço à frente da defesa Não (braço não conta)
Atacante em posição irregular fica parado, longe do lance, e outro companheiro faz o gol Não
Atacante em posição irregular fica na frente do goleiro e atrapalha a visão dele em um chute Sim
Atacante em posição irregular aproveita o rebote de uma defesa do goleiro Sim
Defensor tenta cortar um lançamento, erra o domínio e a bola sobra para o atacante adiantado Não (jogada deliberada do defensor)
Atacante recebe a bola direto de um arremesso lateral, à frente de todos Não
Atacante estava no próprio campo de defesa quando a bola foi lançada Não

Jogada deliberada e defesa deliberada

Dois conceitos fazem muita diferença na interpretação. Quando um defensor joga a bola de forma deliberada, ou seja, com controle e chance real de passar, dominar ou afastar, e ela sobra para um atacante adiantado, não há impedimento, mesmo que o defensor erre o que tentou fazer. Indicadores usados pela arbitragem incluem a distância de onde a bola veio, a velocidade dela, se o defensor tinha visão do lance e tempo para coordenar o corpo.

A exceção é a defesa deliberada: quando um jogador tenta impedir que a bola entre no gol, ou passe muito perto dele, e a bola sobra para um atacante em posição irregular, o impedimento é marcado. Em outras palavras, rebote de defesa não “limpa” a posição do atacante.

Checklist do impedimento

  1. No momento do passe, o atacante estava no campo adversário?
  2. Alguma parte da cabeça, do corpo ou dos pés estava à frente da bola e do penúltimo adversário?
  3. A bola veio de tiro de meta, lateral ou escanteio? Se sim, não há impedimento.
  4. O atacante tocou a bola, atrapalhou um adversário ou tirou vantagem de rebote ou defesa?
  5. Se a bola veio de jogada deliberada de um defensor (e não de uma defesa), não há impedimento.

O momento que conta é o do passe

Para avaliar a posição, a referência é o primeiro ponto de contato do companheiro com a bola. Não importa onde o atacante estava quando dominou, e sim onde estava quando o passe saiu. Quando o goleiro lança a bola com as mãos, a referência passa a ser o último ponto de contato.

Outro detalhe: um defensor que sai do campo sem autorização continua sendo considerado sobre a linha de fundo ou lateral para efeito de impedimento até a próxima interrupção do jogo ou até que sua equipe leve a bola em direção ao meio-campo e ela saia da área. Sair deliberadamente para deixar um atacante impedido rende cartão amarelo.

Sala de vídeo com monitores usados na análise de lances de impedimento

Tecnologia: VAR e impedimento semiautomático

O VAR pode revisar o impedimento em lances de gol e de pênalti, porque são situações de checagem previstas no protocolo da IFAB. Como a posição do atacante é um fato objetivo, a decisão costuma ser tomada pela própria cabine, sem que o árbitro precise ir ao monitor. Já a interferência em um adversário depende de interpretação e pode levar à revisão em campo.

No Brasil, o impedimento semiautomático começou a ser usado na Série A a partir da 20ª rodada de 2026, com os primeiros jogos em 25 de julho. Cada estádio recebeu de 28 a 32 câmeras dedicadas, e as imagens seguem em tempo real para a central de VAR da CBF, no Rio de Janeiro, onde um sistema de rastreamento dos jogadores ajuda a definir a posição de cada um no momento do passe.

Perguntas frequentes

O braço conta para o impedimento?

Não. Mãos e braços não são considerados, inclusive para os goleiros. O limite do braço é a parte de baixo da axila.

Estar alinhado com o último defensor é impedimento?

Não. Quem está na mesma linha do penúltimo adversário está em posição legal.

Existe impedimento em cobrança de lateral?

Não. Também não há impedimento em tiro de meta e escanteio quando o jogador recebe a bola diretamente da cobrança.

Rebote do goleiro anula o impedimento?

Não. Se o atacante estava em posição irregular no chute do companheiro e aproveita o rebote de uma defesa, o impedimento é marcado.

Fontes consultadas: IFAB, Regras do Jogo, Regra 11 (Impedimento); IFAB, Protocolo do VAR; CBF; Diario de Pernambuco.

Mais em Regras do Futebol

Compartilhar

Mapa do site