A expressão inglesa “brain rot”, que pode ser traduzida como “apodrecimento do cérebro” ou “cérebro podre”, foi eleita a palavra do ano de 2024 pela Universidade de Oxford. O anúncio foi feito em 2 de dezembro de 2024 e colocou em debate o que o consumo excessivo de conteúdo raso nas redes sociais pode causar na atenção e no humor das pessoas.
O que significa “brain rot”
O Dicionário de Oxford define o termo como a suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente quando provocada pelo consumo excessivo de material trivial ou pouco desafiador, principalmente na internet. Na prática, a gíria é muito usada por jovens para descrever a sensação de vazio mental depois de longas sessões rolando o feed do Instagram ou assistindo a vídeos no TikTok.
No Brasil, a imprensa também registrou o uso do termo na cibercultura para se referir a conteúdos considerados de baixa qualidade ou valor, que circulam em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram.
Como a palavra foi escolhida
A escolha vale para expressões em inglês. Segundo o Olhar Digital, mais de 37 mil pessoas participaram de uma votação online, e especialistas de Oxford também contribuíram para a decisão. A premiação existe há cerca de 20 anos. A primeira palavra eleita foi “chav”, gíria britânica ligada à classe trabalhadora, e entre as vencedoras anteriores estão “podcast” e “selfie”.
Concorreram com “brain rot” outros cinco termos: “lore”, “demure”, “romantasy”, “dynamic pricing” e “slop”.
Uso do termo cresceu 230%
De acordo com Oxford, o uso da expressão aumentou 230% entre 2023 e 2024, impulsionado pela popularização nas redes sociais. Apesar de parecer um fenômeno recente, o termo é antigo: o primeiro registro apontado por Oxford é de 1854, no livro “Walden ou A Vida nos Bosques”, de Henry David Thoreau. Na obra, que trata de viver sozinho numa cabana na floresta, a expressão aparece sem qualquer relação com a internet.
O que dizem os especialistas sobre o excesso de tela
Em reportagem do jornal O POVO, a psicopedagoga Eyla Cavalcante descreveu o fenômeno como uma busca compulsiva por conteúdos “sem relevância”, que não contribuem para o crescimento pessoal nem para o conhecimento. Segundo ela, o processo está ligado à superestimulação do cérebro pelo uso excessivo de tecnologia e ao nível de dopamina, já que o cérebro passa a procurar conteúdos que mantenham o estado de alerta.
A especialista afirma que notícias trágicas, por exemplo, estimulam a dopamina e aumentam o desejo por conteúdos semelhantes. Para ela, essa compulsão pode prejudicar funções executivas, como planejamento, organização e autocontrole, e vem acompanhada de menos engajamento social em quem desenvolve o hábito digital.
O tempo online dos brasileiros
O Relatório Digital 2024, parceria entre as empresas We Are Social e Meltwater, estimou cerca de 5 bilhões de usuários de redes sociais no mundo. O Brasil aparece em segundo lugar entre os países em que as pessoas passam mais tempo conectadas, com 9 horas e 13 minutos por dia, atrás apenas da África do Sul, que registra 9 horas e 44 minutos diários.
O que ela recomenda para reduzir o hábito
A orientação apresentada na reportagem do O POVO é começar limitando o tempo de tela. Também aparecem como sugestões:
- definir ou reduzir o tempo diário nas redes sociais;
- excluir aplicativos que funcionam como distração;
- deixar de seguir contas que causem mal-estar, raiva ou ansiedade;
- preencher o feed com conteúdos positivos;
- praticar hobbies e atividades físicas que estimulem o cérebro.
Quando a pessoa percebe o problema, mas não consegue parar, a psicopedagoga diz que pode ser necessário buscar apoio psicológico ou psiquiátrico.
Fontes
- Olhar Digital – “Cérebro podre”: entenda o que é “brain rot”, eleita a palavra do ano
- O POVO+ – Brain rot: o que é e por que foi escolhida palavra do ano 2024 pela Oxford






