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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

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Brain rot: o que significa a palavra do ano de Oxford e como se liga às redes sociais

Oxford elegeu "brain rot" a palavra de 2024; entenda o significado, a origem de 1854 e o que especialistas dizem sobre o excesso de conteúdo raso online.

Tiago da Silva CândidoPor Tiago da Silva Cândido Atualizado em 27/10/2026 3 min de leitura
Jovem absorto no celular, ilustrando o uso excessivo de redes sociais
Foto: Doctorxgc/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A expressão inglesa “brain rot”, que pode ser traduzida como “apodrecimento do cérebro” ou “cérebro podre”, foi eleita a palavra do ano de 2024 pela Universidade de Oxford. O anúncio foi feito em 2 de dezembro de 2024 e colocou em debate o que o consumo excessivo de conteúdo raso nas redes sociais pode causar na atenção e no humor das pessoas.

O que significa “brain rot”

O Dicionário de Oxford define o termo como a suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente quando provocada pelo consumo excessivo de material trivial ou pouco desafiador, principalmente na internet. Na prática, a gíria é muito usada por jovens para descrever a sensação de vazio mental depois de longas sessões rolando o feed do Instagram ou assistindo a vídeos no TikTok.

No Brasil, a imprensa também registrou o uso do termo na cibercultura para se referir a conteúdos considerados de baixa qualidade ou valor, que circulam em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram.

Como a palavra foi escolhida

A escolha vale para expressões em inglês. Segundo o Olhar Digital, mais de 37 mil pessoas participaram de uma votação online, e especialistas de Oxford também contribuíram para a decisão. A premiação existe há cerca de 20 anos. A primeira palavra eleita foi “chav”, gíria britânica ligada à classe trabalhadora, e entre as vencedoras anteriores estão “podcast” e “selfie”.

Concorreram com “brain rot” outros cinco termos: “lore”, “demure”, “romantasy”, “dynamic pricing” e “slop”.

Uso do termo cresceu 230%

De acordo com Oxford, o uso da expressão aumentou 230% entre 2023 e 2024, impulsionado pela popularização nas redes sociais. Apesar de parecer um fenômeno recente, o termo é antigo: o primeiro registro apontado por Oxford é de 1854, no livro “Walden ou A Vida nos Bosques”, de Henry David Thoreau. Na obra, que trata de viver sozinho numa cabana na floresta, a expressão aparece sem qualquer relação com a internet.

O que dizem os especialistas sobre o excesso de tela

Em reportagem do jornal O POVO, a psicopedagoga Eyla Cavalcante descreveu o fenômeno como uma busca compulsiva por conteúdos “sem relevância”, que não contribuem para o crescimento pessoal nem para o conhecimento. Segundo ela, o processo está ligado à superestimulação do cérebro pelo uso excessivo de tecnologia e ao nível de dopamina, já que o cérebro passa a procurar conteúdos que mantenham o estado de alerta.

A especialista afirma que notícias trágicas, por exemplo, estimulam a dopamina e aumentam o desejo por conteúdos semelhantes. Para ela, essa compulsão pode prejudicar funções executivas, como planejamento, organização e autocontrole, e vem acompanhada de menos engajamento social em quem desenvolve o hábito digital.

O tempo online dos brasileiros

O Relatório Digital 2024, parceria entre as empresas We Are Social e Meltwater, estimou cerca de 5 bilhões de usuários de redes sociais no mundo. O Brasil aparece em segundo lugar entre os países em que as pessoas passam mais tempo conectadas, com 9 horas e 13 minutos por dia, atrás apenas da África do Sul, que registra 9 horas e 44 minutos diários.

O que ela recomenda para reduzir o hábito

A orientação apresentada na reportagem do O POVO é começar limitando o tempo de tela. Também aparecem como sugestões:

  • definir ou reduzir o tempo diário nas redes sociais;
  • excluir aplicativos que funcionam como distração;
  • deixar de seguir contas que causem mal-estar, raiva ou ansiedade;
  • preencher o feed com conteúdos positivos;
  • praticar hobbies e atividades físicas que estimulem o cérebro.

Quando a pessoa percebe o problema, mas não consegue parar, a psicopedagoga diz que pode ser necessário buscar apoio psicológico ou psiquiátrico.

Fontes

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