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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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Alecrim Futebol Clube: a história do Verdão de Natal

Fundado em 1915 no bairro que lhe dá nome, o Alecrim é heptacampeão potiguar, já disputou a elite nacional três vezes e teve Garrincha em campo em 1968.

Tiago da Silva CândidoPor Tiago da Silva Cândido Atualizado em 22/10/2026 5 min de leitura
Torcida com bandeiras verdes e brancas em estádio de Natal

O Alecrim Futebol Clube é o terceiro clube mais vitorioso do Campeonato Potiguar, com sete títulos estaduais. Fundado em 15 de agosto de 1915, no bairro do Alecrim, em Natal, usa verde e branco e é conhecido como Verdão e Periquito. Disputou a primeira divisão nacional três vezes, a última em 1986, e em 2009 conquistou o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro.

A fundação no bairro do Alecrim

Segundo o histórico do clube, o Alecrim foi fundado em 15 de agosto de 1915, numa reunião na casa do coronel Solon Andrade, no então distante bairro do Alecrim, perto da atual Igreja de São Pedro. Entre os fundadores estavam Lauro Medeiros, Pedro Dantas, José Firmino, Humberto Medeiros, Gentil de Oliveira, José Tinoco, Juvenal Pimentel e Miguel Firmino, além do próprio Solon Andrade.

A ideia inicial era filantrópica. Em 26 de setembro de 1916, o jornal A República noticiou que moços do bairro tinham fundado o Alecrim Football Club, que manteria uma escola noturna gratuita para crianças pobres. O primeiro jogo do clube foi contra o time da Escola de Aprendizes Artífices, atual IFRN, com vitória alviverde.

A polêmica da data

Há quem defenda que o Alecrim nasceu em 15 de agosto de 1917. A data de 1915 ganhou reforço quando o historiador Alberto Medeiros encontrou, na Federação Norte-rio-grandense de Futebol, papel timbrado da década de 1940 com o registro de fundação em 15 de agosto de 1915.

Identidade: o clube do povo do Alecrim

  • Cores: verde e branco;
  • Apelidos: Verdão, Verdão Maravilha, Periquito e “Time Mais Simpático do RN”;
  • Mascote: o periquito;
  • Torcedores: alecrinenses ou esmeraldinos.

Nos primeiros tempos, enquanto o ABC reunia jogadores e torcedores ligados à elite da cidade, o Alecrim era formado em grande parte por negros e descendentes de indígenas, que enfrentavam o preconceito comum nos primórdios do futebol no país. O hino do clube, de 1980, é do compositor Claudiomiro Batista de Oliveira, o Dozinho, autor também do frevo “O mais querido”, do ABC.

Periquito verde pousado em galho, mascote do Alecrim

Os sete títulos potiguares

Ano Destaque
1924 Primeiro título, de uma fase com registros contestados
1925 Bicampeonato, também alvo de divergências históricas
1963 Início da melhor década do clube
1964 Bicampeonato
1968 Campanha invicta, com 7 vitórias e 3 empates
1985 Fim de um jejum de 17 anos
1986 Bicampeonato sobre o ABC

A década de 1960 e o título invicto de 1968

Nos anos 1960, o Alecrim ganhou fama de “vingador” do futebol potiguar: times de fora que venciam ABC e América costumavam tropeçar no Verdão. O exemplo mais citado é o Rampla Juniors, do Uruguai, que chegou a Natal invicto numa excursão pelo Brasil e perdeu por 1 a 0, gol do artilheiro Rui.

Em 1968, o clube foi campeão invicto em 10 jogos. A final, em 10 de julho, terminou com vitória por 2 a 0 sobre o Ferroviário, gols de Icário e Élson, sob o comando do técnico Pedro Teixeira, o Pedrinho Quarenta. No mesmo ano, em 4 de fevereiro, Garrincha, bicampeão mundial em 1958 e 1962, vestiu a camisa do Alecrim num amistoso contra o Sport no Estádio Juvenal Lamartine. O time pernambucano venceu por 1 a 0.

O bicampeonato de 1985 e 1986

Em 1985, depois de perder o primeiro turno, o Alecrim trouxe de volta o técnico Ferdinando Teixeira. Com os veteranos Odilon e Didi Duarte, venceu os dois turnos seguintes e derrotou o América por 2 a 0 na final, com gols de Freitas e Odilon. Em 1986, repetiu a fórmula, venceu dois de três turnos e empatou sem gols com o ABC na decisão, resultado que bastava para o bicampeonato.

O Alecrim no cenário nacional

O Verdão representou o Rio Grande do Norte na elite nacional em três ocasiões: duas vezes na Taça Brasil, na década de 1960, depois dos títulos estaduais de 1963 e 1964, e no Campeonato Brasileiro de 1986, quando era o único representante potiguar. Nas duas participações na Taça Brasil, caiu diante do Campinense, da Paraíba. No total, o clube soma 11 participações em competições nacionais.

Camisa antiga verde e branca pendurada em vestiário de madeira, lembrando os anos 1960

O momento recente mais lembrado é a Série D de 2009. Com um time montado pelo empresário João Maria Belmont e dirigido por Francisco Diá, o Alecrim terminou em quarto lugar e garantiu o acesso à Série C de 2010 ao empatar por 1 a 1 com o Uberaba no Machadão, gol de Maurício Pantera. A campanha teve apoio até de torcedores de ABC e América, que se juntaram aos alecrinenses nas arquibancadas. Na Série C de 2010, porém, o clube terminou em 17º e foi rebaixado.

A última participação nacional foi na Copa do Brasil de 2015. O Alecrim ganhou a Segunda Divisão potiguar em 2022 e, em 2026, aparece novamente na Segunda Divisão estadual.

Nomes ligados ao Verdão

  • Marinho Chagas: o lateral eleito o melhor da posição na Copa do Mundo de 1974 cresceu no bairro do Alecrim e, depois de parar de jogar, teve no clube sua única experiência como treinador.
  • Alberi: ídolo do ABC nos anos 1970, defendeu o Alecrim entre 1979 e 1981.
  • Ferdinando Teixeira: treinador do título de 1985.

Perguntas frequentes

Quando o Alecrim foi fundado?

Em 15 de agosto de 1915, segundo o registro adotado pelo clube e encontrado em documentos da FNF. Algumas fontes citam 1917.

Quantos títulos potiguares o Alecrim tem?

Sete: 1924, 1925, 1963, 1964, 1968, 1985 e 1986.

Garrincha jogou pelo Alecrim?

Sim, num amistoso contra o Sport em 4 de fevereiro de 1968, no Estádio Juvenal Lamartine, em Natal.

Por que o Alecrim é chamado de Periquito?

O periquito é o mascote do clube e combina com as cores verde e branca, que também renderam o apelido de Verdão.

Fontes consultadas: Federação Norte-rio-grandense de Futebol; Wikipédia (verbetes Alecrim Futebol Clube, Campeonato Potiguar de Futebol Masculino, Marinho Chagas, Alberi e ABC Futebol Clube); jornal A República (26/09/1916), citado no histórico do clube.

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