O presidente da ExxonMobil, Darren Woods, disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a Venezuela é, hoje, “inviável para investimentos”. A fala aconteceu na sexta-feira (9 de janeiro de 2026), durante uma reunião na Casa Branca com cerca de 20 executivos do setor de petróleo, convocada para discutir a retomada da produção venezuelana.
O que foi dito na reunião
Segundo o InfoMoney, a reunião ocorreu na Sala Leste da Casa Branca. Trump pressiona as empresas a investir pelo menos US$ 100 bilhões para reativar o setor petrolífero da Venezuela, depois da captura de Nicolás Maduro. Os executivos, no entanto, mostraram cautela diante da ideia de voltar ao país.
Woods lembrou que a Exxon teve ativos confiscados na Venezuela duas vezes. De acordo com o Correio, a petroleira entrou no país na década de 1940 e saiu há cerca de 20 anos. Para uma terceira entrada, afirmou o executivo, seria preciso mudar de forma significativa os marcos legais e comerciais. As leis de hidrocarbonetos venezuelanas teriam de ser alteradas, e os investimentos precisariam de proteções duradouras: “Tem que haver proteções duradouras para os investimentos”, disse.
O CEO também disse que a empresa está disposta a enviar uma equipe ao país, desde que haja convite do governo local e garantias de segurança, e que a Exxon poderia ajudar a levar o petróleo bruto venezuelano ao mercado a um preço justo. Sobre o governo da Venezuela, afirmou que a companhia “não tem opinião formada”.
Outros executivos
Harold Hamm, da Continental Resources, recusou-se a assumir compromissos financeiros, embora tenha dito que a perspectiva o entusiasma como explorador. Já Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, respondeu a Trump que a empresa teve prejuízo de US$ 12 bilhões na Venezuela, valor que já foi baixado contabilmente.
A resposta de Trump
De acordo com o InfoMoney, Trump prometeu garantias de segurança às empresas, sem detalhar como funcionariam, e disse que elas recuperariam rapidamente os investimentos em equipamentos. Também afirmou que os Estados Unidos não levariam em conta perdas anteriores e comentou a baixa contábil citada por Lance (“Boa baixa contábil”). O presidente ainda ameaçou substituir quem não quisesse entrar, dizendo ter 25 pessoas dispostas a ocupar o lugar das petroleiras presentes, e justificou a intervenção dizendo que, se os EUA não agissem, China ou Rússia agiriam.
O secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que o governo provavelmente não dará subsídios financeiros, exceto em segurança. Os executivos pediram garantias de segurança física e certeza contratual, já que há incerteza sobre a liderança interina de Delcy Rodríguez.
Os números do setor
- Investimento mínimo pedido por Trump: US$ 100 bilhões.
- Venda planejada de mais de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, incluindo estoques.
- Petróleo WTI em torno de US$ 59 na sexta-feira.
- Gasolina a US$ 2,81 por galão, em média, segundo a AAA.
- Produção venezuelana abaixo de 1 milhão de barris por dia, contra quase 4 milhões nos anos 1970.
Contexto militar
Trump disse ter cancelado uma segunda onda de ataques, citando a cooperação venezuelana depois da libertação de presos políticos, mas as forças militares americanas continuam posicionadas na região, segundo o InfoMoney.
Fontes
- InfoMoney – Trump ouve de petroleiras que Venezuela, atualmente, é “inviável para investimentos”
- Correio – CEO de petroleira dos EUA a Trump: é inviável investir na Venezuela






