O futebol feminino no Rio Grande do Norte tem campeonato estadual organizado pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) desde 1984, com longas interrupções ao longo das décadas. A principal força recente é a União, pentacampeã potiguar entre 2021 e 2025, e o título estadual dá ao campeão a vaga do estado na Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino do ano seguinte.
Um começo tardio, por imposição da lei
Para entender a história do futebol feminino potiguar, é preciso voltar ao cenário nacional. Em abril de 1941, o Decreto-Lei 3.199, assinado por Getúlio Vargas, proibiu as mulheres de praticar esportes considerados incompatíveis com a “sua natureza”, e o futebol estava entre eles. A proibição só caiu em 1979, e a modalidade foi regulamentada no país em 1983.
O primeiro Campeonato Potiguar feminino de que se tem registro veio logo depois, em 1984. A Drogaria Guararapes foi a primeira campeã e voltou a vencer em 1986; em 1985, o título ficou com o Cidade do Sol.
Duas décadas de lacuna
Depois da edição de 1986, o estadual feminino deixou de ser disputado por um longo período: os registros não apontam campeonato entre 1987 e 2006. A competição voltou em 2007, com título do ABC, e passou a ter edições mais frequentes, ainda que não anuais. Não houve disputa em 2014 nem em 2016.
Nesse segundo ciclo, o título circulou entre vários clubes. Parnamirim venceu em 2008; o Potiguar de Parnamirim, em 2009 e 2010; o Força e Luz, clube de Natal fundado em 1966 por funcionários da companhia de energia do estado, em 2011; o América, em 2012; e o Monamy, em 2013. O Cruzeiro ganhou em 2018 e 2019.

Linha do tempo do futebol feminino potiguar
- 1941 — Decreto-Lei 3.199 proíbe o futebol feminino no Brasil
- 1979 — a proibição é revogada
- 1983 — a modalidade é regulamentada no país
- 1984 — primeiro Campeonato Potiguar feminino, vencido pela Drogaria Guararapes
- 1987 a 2006 — período sem estadual feminino registrado
- 2007 — retomada da competição, com título do ABC
- 2021 a 2025 — União conquista cinco títulos seguidos
- 2022 — estreia da Série A3 nacional, com o RN representado
A era da União
A União venceu o estadual pela primeira vez em 2015 e repetiu o feito em 2017. A partir de 2021, construiu a maior sequência da história recente da competição: cinco títulos seguidos, de 2021 a 2025.
A final de 2025, disputada em 13 de dezembro no Estádio Juvenal Lamartine, em Natal, terminou 0 a 0 contra o Potyguar Seridoense, e a União ficou com a taça nos pênaltis, por 3 a 2. Esse título garantiu ao clube vaga na Série A3 e na Copa do Brasil feminina de 2026.
A edição de 2020 teve uma particularidade. Por causa da pandemia de covid-19, ela só foi disputada em fevereiro de 2021, e o América venceu a União nos pênaltis. Assim, 2021 teve dois estaduais: o atrasado de 2020, no começo do ano, e o de 2021, entre outubro e novembro.
Como funciona o Campeonato Potiguar feminino
O formato muda de edição para edição, conforme o regulamento publicado pela FNF. Em 2026, a competição foi programada para começar em 17 de outubro, com oito clubes: Comercial de Pirangi, Estrela Potiguar, Globo, Gramoré, Monamy, Potiguar de Mossoró, Potyguar Seridoense e União.
- Primeira fase: grupo único, com todos se enfrentando em turno único.
- Semifinais: os quatro melhores avançam (1º x 4º e 2º x 3º), em jogo único, com mando dos dois primeiros colocados.
- Final: jogo único, com mando da FNF.
- Empates no mata-mata: decididos nos pênaltis.
O campeão recebe o troféu e representa o Rio Grande do Norte na Série A3 do Brasileiro Feminino do ano seguinte. Se o campeão já tiver vaga na A3 ou em divisão superior por outro caminho, a vaga passa ao vice, desde que as regras da CBF permitam.

O RN nas competições nacionais
A criação da Série A3 pela CBF, em 2022, abriu uma porta permanente para os clubes potiguares no calendário nacional. Na primeira edição, com 32 clubes, o estado foi representado pela parceria União/ABC, campeã potiguar de 2021. A equipe passou pelo Menina Olímpica na primeira fase, com 4 a 1 no agregado, e foi eliminada pelo VF4 na segunda.
Em 2025, a Copa do Brasil feminina voltou ao calendário depois de oito anos sem ser disputada, em sua 11ª edição, com clubes das três divisões nacionais. A União participou como representante potiguar da Série A3.
Clubes campeões do estadual
| Período | Campeões |
|---|---|
| 1984 a 1986 | Drogaria Guararapes (1984 e 1986) e Cidade do Sol (1985) |
| 2007 a 2013 | ABC, Parnamirim, Potiguar de Parnamirim (2), Força e Luz, América e Monamy |
| 2015 a 2019 | União (2015 e 2017) e Cruzeiro (2018 e 2019) |
| 2020 a 2025 | América (edição de 2020) e União (2021 a 2025) |
Perguntas frequentes
Quem é o maior campeão do futebol feminino potiguar?
A União, com títulos em 2015, 2017 e na sequência de cinco conquistas seguidas entre 2021 e 2025.
Quando começou o Campeonato Potiguar feminino?
A primeira edição registrada é de 1984, logo após a regulamentação da modalidade no Brasil, em 1983.
O que o campeão estadual ganha?
A vaga do Rio Grande do Norte na Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino do ano seguinte.
Onde costumam ser os jogos?
O Estádio Juvenal Lamartine, em Natal, recebeu a final de 2025 e jogos da rodada de abertura de 2026, que também teve partida no campo do Cruzeiro, em Macaíba.
Fontes consultadas: Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF); CBF; Agora RN; Politize; Wikipédia (Campeonato Potiguar de Futebol Feminino, Centro Esportivo Força e Luz, Série A3 de 2022 e Copa do Brasil Feminina de 2025).






