Os ídolos históricos do ABC atravessam mais de um século. Entre os jogadores, os nomes mais citados são Mário Crise, recordista de títulos estaduais pelo clube nos anos 1930; Alberi, único atleta de um time potiguar a ganhar a Bola de Prata da revista Placar; o lateral Marinho Chagas, revelado em Natal; o artilheiro Sérgio Alves; e Wallyson, cria da base e carrasco do América. Fora de campo, Vicente Farache e Ferdinando Teixeira estão entre os técnicos mais vitoriosos.
Anos 1930: Mário Crise, Xixico e o decacampeonato
O ABC ganhou dez estaduais seguidos de 1932 a 1941. Nenhum jogador participou de todas essas conquistas, mas o atacante Mário Crise chegou perto: defendeu o clube de 1929 a 1938 e ganhou nove títulos potiguares, o maior número entre os atletas alvinegros.
Ao lado dele brilhava Xixico. Foi artilheiro do estadual em 1938, com 9 gols, e em 1939, com 7. Na final do campeonato de 1933, disputada em 15 de abril de 1934, marcou três vezes na vitória por 6 a 4 sobre o América, o Clássico-Rei com mais gols da história. Xixico e Mário Crise também levaram a seleção do Rio Grande do Norte ao título de campeã do Nordeste de 1934, no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.
Vicente Farache, o técnico do deca
Nascido em Natal em 1902, Vicente Farache jogou como ponta-direita apenas pelo ABC, foi estudar Direito no Rio de Janeiro e voltou em 1928 para ser dirigente e treinador. Comandou o time em todo o decacampeonato. O complexo esportivo do clube, onde fica o Frasqueirão, leva o seu nome.
Anos 1970: Alberi, Marinho Chagas e a geração do tetra
Alberi, o Alberi José Ferreira de Matos, nasceu no Recife em 1945 e começou no Santa Cruz. Estreou pelo ABC em 10 de abril de 1968, marcando dois gols numa vitória por 3 a 2 sobre o Ferroviário. Foi peça central no tetracampeonato potiguar de 1970 a 1973 e, em 1972, recebeu a Bola de Prata da Placar, sendo, até 2026, o único jogador de um clube do Rio Grande do Norte com o prêmio. Recusou propostas de clubes como o Fluminense para continuar em Natal.

Depois de sair em 1974, Alberi jogou no América, onde foi campeão em 1977, e no Alecrim, entre outros. Voltou ao ABC em 1984 e encerrou a carreira com 79 gols pelo clube. Morreu em Natal em 28 de outubro de 2022. Em eleições promovidas pela Tribuna do Norte, em 2001, e pelo próprio ABC, nos 90 anos do clube, apareceu como titular da seleção de todos os tempos.
Marinho Chagas, nascido em Natal em 1952, foi revelado pelo Riachuelo e teve o passe comprado pelo ABC em 1970. Naquele ano, com ele e Alberi em campo, o clube encerrou um jejum de três anos sem título estadual. Depois, Marinho brilhou no Náutico e no Botafogo, ganhou duas Bolas de Prata seguidas e foi eleito o melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo de 1974.
A excursão de 1973
Em 1973, punido com suspensão nacional, o ABC fez uma viagem de mais de 100 dias por Europa, Ásia e África. O time de Sabará, Maranhão, Alberi, Telino, Danilo Menezes e Jorge Demolidor fez 24 jogos e terminou invicto nas últimas 14 partidas. Na volta, em 18 de dezembro, empatou por 2 a 2 com a União Soviética no Machadão, com gols de Alberi e Demolidor.
Anos 1990 e 2000: Sérgio Alves, o carrasco
O pernambucano Sérgio Alves, nascido em 1970, teve três passagens pelo ABC. Foi artilheiro do Campeonato Potiguar em 1998, com 10 gols, em 1999, com 18, em 2001, com 21, e em 2005, com 11. Ficou famoso por nunca ter passado em branco num clássico contra o América nessas passagens. Também é ídolo do Ceará e do Bahia, pelo qual ganhou a Copa do Nordeste de 2002.

Era do Frasqueirão: Wallyson e os campeões de 2010
Wallyson nasceu em Macaíba, na Grande Natal, em 1988, e chegou à base do ABC, o clube do coração do pai. Aos 18 anos, marcou quatro gols na final do estadual de 2007, vitória por 5 a 2 sobre o América. No fim daquele ano, fez 16 gols na Série C, incluindo o do acesso contra o Bragantino. Vendido ao Atlético Paranaense em 2008, ajudou a pagar o módulo IV do Frasqueirão, que leva seu nome.
Fora do RN, foi artilheiro da Copa Libertadores de 2011 pelo Cruzeiro, com sete gols, ao lado de Roberto Nanni. Nas voltas ao ABC, somou os estaduais de 2018, 2020 e 2022. Na final de 2022, marcou um gol olímpico no Frasqueirão na vitória por 4 a 2 sobre o América. É o maior artilheiro do ABC no Clássico-Rei na era profissional, com 14 gols, e dividiu a artilharia da Copa do Nordeste de 2026, com seis gols.
A campanha do título da Série C de 2010 também consagrou nomes como o atacante Leandrão, o meia Jackson e Cascata, autor do gol da vitória na ida da final, sob o comando de Leandro Campos.
Ídolos do ABC por época
| Nome | Época | Marca no clube |
|---|---|---|
| Mário Crise | 1929-1938 | 9 títulos estaduais |
| Vicente Farache (técnico) | 1930-1940 | Decacampeonato 1932-1941 |
| Alberi | 1968-1974 e 1984 | Tetra 1970-73 e Bola de Prata 1972 |
| Marinho Chagas | 1970 | Título estadual de 1970 |
| Sérgio Alves | Três passagens | Artilheiro estadual em 1998, 1999, 2001 e 2005 |
| Ferdinando Teixeira (técnico) | 1984 a 2008 | 5 estaduais: 1984, 1995, 1999, 2007 e 2008 |
| Wallyson | Desde 2007, com idas e vindas | 4 gols na final de 2007 e gol olímpico em 2022 |
Perguntas frequentes
Quem é o jogador com mais títulos pelo ABC?
Mário Crise, que conquistou nove estaduais entre 1929 e 1938.
Alberi jogou no ABC e no América?
Sim. Foi ídolo do ABC, com quem ganhou o tetra de 1970 a 1973, e depois foi campeão potiguar pelo América em 1977.
Por que Wallyson é tão lembrado pela torcida?
Pelos quatro gols na final de 2007, pelo gol olímpico na final de 2022 e por ser o maior artilheiro alvinegro no Clássico-Rei na era profissional.
Qual técnico ganhou mais títulos pelo ABC?
Vicente Farache, com os dez títulos do decacampeonato. Ferdinando Teixeira ganhou cinco estaduais com o clube.
Fontes consultadas: ABC Futebol Clube (site oficial); Wikipédia (verbetes ABC Futebol Clube, Alberi, Marinho Chagas, Sérgio Alves, Wallyson, Vicente Farache, Clássico Rei e Campeonato Potiguar de Futebol Masculino).






