As categorias de base são os times de formação dos clubes, divididos por idade, por onde passam os jogadores antes de chegar ao profissional. A entrada costuma acontecer por peneiras, avaliações abertas ou por convite, em que a comissão técnica observa os candidatos em treinos e jogos. A Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, é a principal vitrine desse caminho: em 2026, reuniu 128 clubes e atletas nascidos entre 2005 e 2010.
Como as categorias de base são organizadas
Os clubes dividem seus atletas em faixas etárias, geralmente identificadas pela idade máxima da categoria, como sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20. Cada faixa disputa competições próprias, organizadas pelas federações estaduais e pela CBF, que mantém campeonatos nacionais de base, como os Brasileiros e as Copas do Brasil das categorias sub-17 e sub-20.
A legislação brasileira estabelece limites para essa formação. A Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023) prevê, no artigo 5º, que crianças com menos de 12 anos só podem ter com um clube um vínculo de natureza esportiva, sem caráter profissional. Entre 12 e 14 anos, o atleta continua sob a autoridade dos pais, não pode ser alojado nas dependências do clube nem em casa longe da família, e sua participação em competições depende de autorização expressa e da presença dos responsáveis. Além disso, a Constituição proíbe qualquer trabalho para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14.
O que é uma peneira e como funciona
Peneira é o nome popular das avaliações que os clubes fazem para recrutar jogadores. O formato varia, mas costuma seguir etapas parecidas:
- Divulgação: o clube anuncia a avaliação em seus canais oficiais, informando categorias, datas, local e documentos exigidos.
- Inscrição: o candidato se cadastra, em geral com documento de identidade e autorização dos responsáveis, no caso de menores.
- Avaliação em campo: os candidatos são divididos por idade e posição e participam de treinos e coletivos observados pela comissão técnica.
- Seleção: os aprovados são chamados para um período de testes mais longo com o elenco da categoria.
- Integração: quem é aprovado passa a treinar com a base, com as exigências de documentação, escola e acompanhamento previstas pelo clube.
Além das peneiras abertas, boa parte dos atletas chega à base por observação de olheiros em escolinhas, torneios regionais e jogos de categorias menores.

Cuidado com peneiras falsas
Golpes envolvendo falsas avaliações são recorrentes no país. Em março de 2024, a Federação Cearense de Futebol registrou notícia-crime na Polícia Civil do Ceará contra um site que usava o nome e a marca da entidade para cobrar R$ 60 de inscrição, via Pix, em uma suposta peneira no Castelão, com promessa de presença de olheiros de grandes clubes. A federação informou que não tinha relação com a iniciativa e que golpes parecidos atingem entidades de outros estados.
- Confira se a avaliação foi divulgada nos canais oficiais do clube ou da federação.
- Desconfie de promessas de contrato, de presença garantida de olheiros estrangeiros ou de “vagas limitadas” mediante pagamento.
- Entre em contato diretamente com o clube antes de pagar qualquer valor ou viajar.
- Menores devem estar sempre acompanhados dos responsáveis.
Copinha 2026 em números
- 56ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior
- 128 clubes, em 32 grupos de quatro
- 2005 a 2010: anos de nascimento permitidos para os atletas
- 40 atletas inscritos por clube, com 30 relacionados para a disputa
- 2 a 25 de janeiro: período da competição
- 11 títulos do Corinthians, o maior campeão
Copinha: a maior vitrine da base
Organizada pela Federação Paulista de Futebol, a Copa São Paulo de Futebol Júnior é disputada em janeiro, em cidades do interior e na capital paulista, com final no dia 25, aniversário da cidade de São Paulo. Por reunir clubes de todas as regiões, é a competição de base com maior exposição no país e funciona como ponto de observação para clubes, empresários e imprensa.
Como é o formato
Na edição de 2026, os 128 participantes foram divididos em 32 grupos de quatro. Os dois melhores de cada grupo avançaram ao mata-mata, disputado em jogo único, com empates decididos nos pênaltis. Cada clube pôde inscrever até 40 atletas e relacionar 30 para a disputa.
Quem pode jogar
A idade é definida a cada edição pela federação. Em 2026, a Copinha aceitou atletas nascidos de 2005 a 2010. Por isso, o torneio reúne jogadores que já estão na transição para o profissional e outros ainda na faixa do sub-17.
Campeões
O Corinthians é o maior vencedor, com 11 títulos. A final de 2026, disputada em 25 de janeiro na Arena Pacaembu, terminou com vitória do Cruzeiro sobre o São Paulo por 2 a 1, no segundo título do clube mineiro na competição.

O Rio Grande do Norte na Copinha
Clubes potiguares costumam marcar presença na competição, que dá aos jovens do estado a chance de jogar diante de observadores de todo o país. Em 2026, o América foi o representante do Rio Grande do Norte, no Grupo 3, ao lado de Tanabi (SP), Goiás e Sobradinho (DF).
Para os clubes do Nordeste, a Copinha também é uma forma de mostrar o trabalho de formação e de valorizar jogadores que podem render receitas futuras com transferências.
Perguntas frequentes
Peneira de clube é paga?
Desconfie de qualquer cobrança. Federações já registraram casos de golpes com taxas de inscrição em nome de clubes e entidades. Confirme a avaliação nos canais oficiais antes de pagar.
Com que idade um jogador pode assinar contrato profissional?
A Constituição proíbe qualquer trabalho para menores de 16 anos, exceto como aprendiz a partir dos 14. Antes dos 12 anos, a Lei Geral do Esporte só admite vínculo de natureza esportiva com o clube.
Qual a idade máxima para jogar a Copinha?
Ela muda a cada edição. Em 2026, puderam jogar atletas nascidos entre 2005 e 2010.
Quantos clubes disputam a Copinha?
Em 2026, foram 128 clubes, divididos em 32 grupos de quatro.
Fontes consultadas: Lei 14.597/2023 (Lei Geral do Esporte); Constituição Federal; Federação Paulista de Futebol; Diario de Pernambuco; Centauro Arena; Diário do Pará; Diário do Nordeste.






